Servidores cobram CPI do IMASF

Representantes da Associação dos Usuários do Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo (IMASF) de São Bernardo foram até a Câmara nesta quarta-feira (18) para reivindicar a volta dos serviços prestados pelo convênio, o credenciamento do Hospital Brasil e o pedido para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para que se investigue a denúncia de rombo de R$ 62 milhões dos cofres da autarquia. O vereador Pery Cartola (PSDB) considera que tenha as assinaturas para levar ao plenário a proposta.

A presidente da Associação, Vera Lucia Ramacciotti, utilizou a tribuna do Legislativo para fazer uma série de reivindicações. “São várias coisas que pedimos. A principal delas é o atendimento ambulatorial e hospitalar, também, que nós não temos. Nós temos um hospital atendendo São Bernardo. Também pedimos a assinatura da CPI, tem um na Casa, faltam assinaturas, se não me engano faltam quatro”, explicou.

Para dar mais embasamento ao pedido de CPI foi levado aos vereadores um relatório de uma auditoria feita pela empresa Galloro & Associados a pedido do IMASF que aponta um rombo de R$ 62 milhões nos cofres da autarquia. Segundo os usuários, a cópia do relatório foi entregue pela própria responsável pela investigação. Entre os principais pontos estão a falta de constatação de saídas de equipamentos e a falta de dados de alguns contratos realizados.

“Nós precisamos dessa CPI para fazer a investigação. Eu sei que já existe o pedido, mas não sei porque até agora não houve os inicios dos trabalhos por parte do presidente da Casa (José Luis Ferrarezi, PT). Alguns vereadores acham que isso é uma questão partidária, mas não é. Eles também são servidores e também estão nessa situação, eles sabem sobre o que está passando”, afirmou o advogado Humberto César.

Em 2015, Pery Cartola conseguiu as dez assinaturas necessárias para a instauração da Comissão, porém as regras da Casa exigem que o pedido seja avalizado pela maioria simples dos vereadores. Para acelerar o processo de votação são necessárias 15 assinaturas para que a proposta entre em regime de urgência. O tucano acredita que já tem apoio suficiente.

“Estou apalavrados com mais de 15 vereadores, agora temos uma semana para trabalhar e recolher as 15 assinaturas. Tenho certeza que vai ser a primeira pauta da próxima sessão. Temos que investigar essa situação”, disse o vereador que tentou avançar com sua propositura através da Justiça, mas não obteve êxito até o momento. “Seria melhor que a CPI saia sem o pedido da Justiça”.

A CPI foi protocolada após as reclamações dos usuários sobre o descredenciamento do Hospital Brasil, assim fazendo com que todos os servidores fossem atendidos apenas no Hospital São Bernardo, considerado pelo grupo como um “local que não tem infraestrutura para receber os pacientes”.

Na semana passada, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) negou recurso do IMASF e do Instituto Acqua em relação ao contrato firmado no ano de 2011, no valor de R$ 10, 6 milhões. O ex-diretor-superintendente do IMASF, Valdir Miraglia foi condenado a uma multa de quase R$ 5 mil e o Instituto Acqua foi condenado a devolver aos cofres públicos R$ 1,3 milhões. Ainda cabe recurso.