Instabilidade política e investimentos financeiros

Por Fernando Pinho*

Os Mercados de Capitais ao redor do mundo respondem instantaneamente aos fenômenos ocorridos no mundo político. E o Brasil insere-se nesse contexto. A Bolsa de Valores brasileira tem ensaiado um processo de recuperação, vislumbrando a possibilidade de implantação de medidas para o pleno saneamento das Finanças Públicas. A crença no sucesso de Michel Temer é ofuscada pela inexperiência do mesmo em cargos executivos, mas potencializada pela alta qualidade da equipe econômica que o cerca.

Neste cenário, o Mercado Futuro de Taxas de Juros sinaliza para a tendência de diminuição das mesmas, num futuro próximo. Entusiasmo à parte, experientes investidores estão reticentes em relação a isso, já que a inflação para os próximos 2 anos continua com sinalização de manter-se alta, bem como as incertezas no âmbito político. Pessoalmente também não acredito nessa tendência de baixa, já que o componente inercial inflacionário é sempre fortíssimo no Brasil, dada a magnitude da alta e crescente Dívida Pública.

Portanto, a sugestão para investidores não-qualificados é manter as aplicações em ativos pós-fixados (CDI), visando enfrentar possíveis turbulências durante o incerto processo de aprovação de medidas destinadas a rearranjar as Finanças Públicas e a consolidação política do governo Temer.

*Fernando Pinho, 60 anos, natural de Bauru (SP), é economista e consultor financeiro com vivência em importantes mercados nacionais e internacionais.