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Aeroporto em São Bernardo do Campo: projeto vai sair do papel?

Atualizado em 07/03/2026

O projeto de um aeroporto em São Bernardo do Campo é um tema que permeia o noticiário político e econômico da região há mais de uma década.

Apresentada como solução para desafogar o tráfego aéreo da capital e reaquecer a economia do ABC, a proposta acumula estudos técnicos, articulações políticas e grandes desafios ambientais.

Para entender o cenário dessa megaobra estrutural que jamais saiu do papel, reunimos o histórico de negociações, os dados do último estudo econômico e os principais motivos que mantêm o projeto paralisado.

Índice

O início do projeto: de 2011 a 2020

A ideia oficial de construir o terceiro aeroporto da região metropolitana em terras são-bernardenses foi apresentada ao Governo Federal em 2011. Dois anos depois, em 2013, o projeto chegou a ser classificado como prioridade de gestão pela então ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Em setembro de 2014, o Ministério da Aviação Civil apresentou um orçamento inicial de R$ 6 bilhões para um complexo focado em cargas e aviação executiva. Contudo, crises econômicas e mudanças no cenário federal esfriaram as negociações nos anos seguintes.

O assunto só voltou a ganhar força em dezembro de 2020. Um estudo da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) reavivou a proposta, recebendo apoio do Consórcio Intermunicipal Grande ABC. O documento sugeriu a utilização de uma área próxima ao Rodoanel, com custo reavaliado para cerca de R$ 1 bilhão.

Articulações políticas no Governo Federal

Mesmo com a lentidão prática, o lobby político pela obra nunca cessou totalmente. Em anos recentes, lideranças regionais, como o deputado estadual Luiz Fernando (PT), realizaram encontros com o Ministério de Portos e Aeroportos para solicitar novos estudos de viabilidade.

A principal justificativa levada a Brasília pelos defensores do projeto é a sobrecarga do aeroporto de Congonhas. A infraestrutura em São Bernardo do Campo surge, nas mesas de negociação, como a alternativa logística mais viável no eixo sul da Grande São Paulo.

O que diz o estudo econômico de 2024?

Em abril de 2024, especialistas em aviação atualizaram os números da obra. O levantamento de Volney Gouveia e Lucio Freitas projetou um terminal misto (cargas e passageiros) operando com duas pistas.

Os dados indicam que o complexo teria capacidade para 17 milhões de passageiros e 20 mil toneladas de carga anuais. O investimento de construção giraria em torno de R$ 1,01 bilhão.

O maior atrativo do estudo é o impacto na geração de renda: estima-se uma injeção de R$ 3,06 bilhões na economia do ABCD Paulista e a criação de mais de 15.500 postos de trabalho diretos e indiretos.

Entraves ambientais e o cenário atual

Apesar do forte apelo econômico, o aeroporto esbarra em desafios geográficos severos. A área prevista fica entre as rodovias Anchieta e Imigrantes, impactando diretamente regiões como Batistini e Botujuru.

Ambientalistas alertam para a necessidade de desmatamento maciço de Mata Atlântica e os riscos de impermeabilização do solo próximos à Represa Billings. Além disso, o alto custo social das desapropriações gera resistência popular.

Atualmente, o projeto segue sem previsão de obras. Nos bastidores federais, a cidade de Cajamar desponta como a favorita para receber um novo aeroporto paulista, devido à sua topografia mais plana e menores custos de desapropriação.