Memória

A trajetória do milionário de São Bernardo que deixou tudo para a educação

Salvador Arena deixou a Líbia, onde nasceu, e chegou ao Brasil em 1920, ainda criança, instalando-se com a família na cidade de São Paulo.

Aos 21 anos, Arena formou-se na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e conseguiu um emprego na Light, atuando na implantação do sistema hidrelétrico de Cubatão, projeto do engenheiro Billings.

Em 1942, pediu demissão da empresa e, com um capital de US$ 200 que recebera de indenização, fundou a Termomecânica São Paulo SA, companhia que começou no bairro da Mooca, na capital paulista.

De início, confeccionava fornos e equipamentos para padarias. Mais tarde, ampliou o leque e começou a produzir ventiladores, prensas, entre outros itens.

Já na década de 1950, iniciou a construção de uma nova fábrica, no bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, objetivando a produção diversificada de metais não ferrosos.

Gestor experiente, Arena oferecia benefícios diversos aos funcionários, como cestas básicas e atendimento médico. Mesmo antes de ser criado o 13º salário, pagava um adicional no fim do ano.

Ele também concedia participação nos lucros que, dependendo do desempenho, chegava a 14, 15 e, às vezes, até 18 salários no ano. Houve até um ano em que foram pagos 25 salários.

As preocupações do industrial iam além dos negócios e alcançavam as necessidades da comunidade. Foi então que resolveu criar a Fundação Salvador Arena, em 1964, para atuar no auxílio às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A vontade de contribuir fez ainda com que o empresário sugerisse mudanças no método de ensino nas escolas brasileiras que acabaram ignoradas pelo Governo por serem “caras demais”.

Arena não desistiu das ideias inovadoras e, em 1989, fundou o Colégio Termomecânica baseado no projeto de ensino que desenvolveu na década de 1970.

Atualmente, a instituição oferece o melhor ensino da cidade de São Bernardo, figurando há anos em primeiro lugar no Enem. A Faculdade de Tecnologia Termomecânica também possui reconhecimento nacional com cursos superiores gratuitos, assim como os oferecidos pelo colégio.

Vítima de infarto, Salvador Arena faleceu na noite do dia 28 de janeiro de 1998. Conforme noticiou o jornal Folha de São Paulo, o velório e o enterro foram acompanhados por cerca de cinco mil pessoas.

Em seu testamento, instituiu a Fundação como herdeira universal de todo o seu patrimônio avaliado em cerca de 800 milhões de dólares. Os recursos deveriam ser utilizados, segundo os estatutos, para “a solução dos problemas de educação e assistência e proteção aos necessitados”.

Mais de 20 anos após a sua morte, Salvador Arena ainda é lembrado com carinho na cidade de São Bernardo e a instituição que leva seu nome segue ativa, oferecendo educação gratuita e de qualidade.

Fontes: CEFSA e Observatório do 3º Setor


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