Uma nova dinâmica violenta começou a circular nos pátios e corredores de instituições de ensino em São Bernardo do Campo.
Inspirada em vídeos virais de redes sociais, a “brincadeira do tapa” foi adaptada pelos alunos para o ambiente escolar físico, contornando a proibição do uso de celulares nas escolas, mas mantendo o grau de intimidação e agressividade da tendência original.
A reportagem ouviu relatos de pais e estudantes de diferentes instituições e conversou com especialistas sobre como lidar com esse cenário.
A dinâmica da agressão presencial
Sem o uso das câmeras, a ação funciona como um jogo de escolhas focado na pressão de grupo. Um estudante aborda outro de forma repentina e faz uma pergunta direta, forçando a vítima a escolher quem deve receber um tapa no rosto na roda de amigos, ou se ela mesma aceita levar o golpe para poder “passar a vez”.
Mesmo sem o registro em vídeo para buscar engajamento digital, o objetivo dos autores permanece sendo o entretenimento à custa do constrangimento alheio. A prática transforma o intervalo escolar em um cenário de pressão psicológica e violência naturalizada perante uma plateia de colegas.
Riscos físicos e bullying mascarado
O que é tratado pelos agressores como uma simples brincadeira presencial mascara casos práticos de violência. Essa dinâmica off-line traz desdobramentos graves que precisam de monitoramento constante:
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Intimidação direcional, onde alunos mais tímidos ou fora de grupos de popularidade são sistematicamente escolhidos como alvos primários das agressões.
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Danos físicos reais, com risco de lesões no rosto, olhos e tímpanos devido à imprevisibilidade da força utilizada no momento do tapa.
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Humilhação pública, uma vez que o ato ocorre na frente de rodas de colegas, gerando constrangimento social imediato e isolamento da vítima.
Como as famílias e as escolas devem agir
A neutralização desse tipo de comportamento exige atuação rápida e comunicação alinhada entre as famílias e a coordenação pedagógica.
Orientações práticas para os pais
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Questione de forma neutra e direta se os filhos já presenciaram esse tipo de dinâmica de “escolhas” durante os intervalos.
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Oriente os jovens a não participarem como agressores, vítimas ou espectadores. Fazer parte da roda para assistir legitima a intimidação.
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Instrua a quebra do ciclo: ao ser abordado com esse tipo de pergunta, a orientação é virar as costas, não responder e sair de perto, esvaziando a ação.
Ações necessárias nas instituições de ensino
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Reforço imediato da vigilância da inspetoria em pontos de convivência livre, como pátios, arredores de cantinas e fundos de quadras.
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Emissão de comunicados preventivos de utilidade pública aos responsáveis, alertando sobre a importação e adaptação dessas tendências da internet para o ambiente físico da escola.
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Aplicação de medidas disciplinares claras para alunos flagrados promovendo ou executando agressões físicas sob a justificativa de “brincadeira”.

