O mercado gastronômico do ABC paulista vem passando por uma profunda reestruturação e a contratação de influenciadores não é mais prioridade. Proprietários de bares e restaurantes da região relatam fadiga com esse modelo de divulgação, focado em vídeos hiperbólicos e contratos cheios de exigências que não se convertem em faturamento real.
O formato de agregar dicas locais, no qual o criador de conteúdo afirma ter descoberto um estabelecimento novo após receber uma refeição gratuita, esgotou-se. A superexposição a vídeos padronizados formou um público cético. O cliente atraído pelo apelo visual costuma consumir o mínimo, tirar fotos e não retornar ao comércio.
Por que os influenciadores perderam força
A matemática operacional é o principal fator para o afastamento dos influenciadores dos bares e restaurantes. Vídeos que viralizam e acumulam milhares de visualizações não garantem mais clientes físicos. E quando a postagem atinge o público local, o pico imprevisível de clientes causa um colapso na cozinha e no salão do estabelecimento.
O resultado desse fenômeno prejudica o serviço. Clientes novos enfrentam filas longas e atendimento deficiente, enquanto a clientela fiel se sente negligenciada e abandona o local de forma definitiva. A rentabilidade do restaurante, que opera com margens estreitas, não suporta o custo das permutas e dos altos cachês cobrados pelos grandes perfis.
Regras rigorosas e as novas estratégias
As diretrizes do CONAR 2026 extinguiram a prática da publicidade velada. A nova regulamentação exige que parcerias e cortesias sejam sinalizadas de forma ostensiva logo nos primeiros segundos do conteúdo. A obrigatoriedade de exibir termos como “Publicidade” ou “Parceria Paga” eliminou a ilusão das avaliações espontâneas, reduzindo o impacto comercial das publicações.
Atualmente, os estabelecimentos locais alocam seus orçamentos em tráfego pago hiperlocalizado, utilizando plataformas de anúncios para atingir clientes em um raio de até cinco quilômetros. Para ações nas redes sociais, sai de cena a dica exagerada e entra a prestação de serviço real.
Os comércios estão buscando comunicadores experientes que entregam o conteúdo de forma humanizada, autêntica e sem floreios, construindo uma credibilidade que o influencer, talvez pela falta de vivência da cidade e contato direto com o consumidor, nunca consegue alcançar.

